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  • Eduardo Araki

Trincas e fissuras em fachadas

Atualizado: 16 de Jan de 2019



Não importa se o prédio é novo ou antigo, trincas e fissuras são o terror da fachada em edificações. Seu surgimento implica em quebra da estética e pode trazer outros problemas mais sérios como iremos ver neste artigo.


Sua origem é muito diversificada, assim como seu tratamento. A escolha da maneira correta de consertar uma fissura depende de fatores técnicos e dos materiais utilizados na fachada.


Por que surgem as fissuras.


Tecnicamente a fissura surge devido ao surgimento de tensões no revestimento e podem ser resultado de tensões de tração ou de cisalhamento.


Fissuras por tração e cisalhamento


As fissuras podem ter origem em situações internas (endógenas), que são oriundas das condições do material, da mão de obra ou mesmo do projeto, ou podem ter origem externa (exógenas) que são ações do meio sobre os componentes da edificação.


Como exemplo de ações endógenas podemos citar a retração dos produtos de base cimentícia ou mesmo alterações químicas dos materiais empregados na construção.


Fatores exógenos podem ser fissuras causadas por movimentação térmica, recalques diferenciais, sobrecargas, vibrações e mesmo a ação das intempéries como chuva, sol e vento.


Como saber se a fissura está aumentando.


As fissuras ativas são as que estão aumentando com o tempo, as passivas são as fissuras estabilizadas, que não aumentam mais. Para monitorar se uma fissura está aumentando existem diversos métodos sendo os mais comuns o uso de lâminas de vidro e selos de gesso. Aqui vou indicar um método simples que você poderá fazer em seu condomínio.


Utilizando uma etiqueta adesiva risque dois traços como na figura abaixo e cole sobre a fissura no sentido transversal.


Etiqueta colada sobre a fissura.



Agora você deverá monitorar esta etiqueta de tempos em tempos. Atenção, não se esqueça de anotar a data na etiqueta, isto é muito importante.

Caso você não tenha uma etiqueta adesiva, pode fazer os riscos na parede com um lápis.

Se a fissura se movimentar você irá ver uma figura semelhante à figura abaixo:


Fissura ativa.



Neste exemplo é possível ver que a fissura se movimentou, pois, os riscos não estão mais alinhados. Ainda é possível medir esta movimentação ao desenhar a complementação dos riscos da esquerda como na figura abaixo.



Monitoramento de fissuras: deslocamento e tempo.



Outra alternativa é utilizar um fissurômetro que é uma régua com medidas específicas para medir trincas e fissuras.



Fissurômetro


Fissuras que aumentam e diminuem são chamadas oscilantes e, geralmente indicam problemas relacionados com variação de temperatura ou umidade. Já as fissuras crescentes são chamadas progressivas e podem indicar problemas de origem estrutural.



É normal o aparecimento de fissuras?


Uma informação importante: Toda fachada fissura! É isso mesmo que você está lendo, a fachada do seu prédio foi projetada para fissurar! Mas calma, não é o que você está pensando.


A fachada de um edifício possui uma área muito extensa, as movimentações térmicas são muito grandes e um projeto bem feito prevê juntas de dilatação como vemos nas fotos a seguir:


Juntas de dilatação.



As juntas de dilatação são chamadas “indutores de fissuras” porque possuem um sulco que gera uma região de baixa resistência no revestimento, que é exatamente onde surge a fissura.


Funcionamento da junta de dilatação.



Como você pode ver, a junta de dilatação forma um sistema de prevenção de fissuras aleatórias ao provocar uma fissura controlada. Também é possível entender que a impermeabilização da junta de dilatação deve ter manutenção com certa frequência para evitar que as fissuras controladas saiam do controle.



Quais os tipos de fissuras.


Basicamente podemos classificar as fissuras em dois tipos: a geométricas (ou isoladas) são em menor número e estão em pontos específicos da edificação.



Fissura geométrica (ou isolada)


As do tipo mapeada (parecem mapas) são disseminadas pela superfície da edificação.


Téchne: Fissura mapeada.



Fissura passante



As fissuras podem ser em apenas uma superfície ou passarem (passante) para a outra superfície da parede. Isto revela que o problema não é no revestimento mas sim na estrutura da parede.


Podem implicar em problemas estruturais e devem ser analisadas com mais critério.



Fissuras típicas em construções



Vamos analisar algumas fissuras mais comuns encontradas em construções devido a movimentação da estrutura.




Recalque de fundação. Trincas a 45 graus indicam o ponto do recalque da fundação.




Aquecimento da laje de cobertura e dilatação diferencial.


Fissuras causadas pela movimentação da laje de cobertura são comuns nos últimos pavimentos de prédios. Neste caso será necessário a instalação de uma proteção térmica para a laje de cobertura.




Deformação da estrutura em balanço.




Deformação da viga superior.


Este tipo de fissura é comum nos primeiros pavimentos de um prédio. É decorrente da deformação lenta da estrutura devido à carga concentrada nos pavimentos inferiores. Fazer a monitoração das fissuras.




Deformação da viga de apoio




Falta de verga e contraverga em portas e janelas.






Tratamento de fissuras.


Antes de tratar as fissuras é importante monitorar para saber se ainda estão ativas ou se já estabilizaram e entender a origem das fissuras para então poder escolher o modo correto de tratamento.


As superfícies a serem tratadas devem estar secas, coesas, regularizadas, não apresentar pulverulência, isenta de graxas ou óleos, partículas soltas e micro-organismos.


Fissuras originadas pela movimentação da estrutura e oscilantes são as mais problemáticas pois tendem a ressurgir. Seu tratamento inclui a aplicação de telas metálicas ou de poliéster para absorção das tensões. Neste caso entram as fissuras por deformação da estrutura e por efeito térmico. Para fissuras originadas por excesso de umidade deve ser previsto um sistema de impermeabilização juntamente com o reparo para que o problema não retorne.


Fissuras isoladas estabilizadas, superficiais, de um modo geral, podem ser tratadas com selante flexível aplicado em sulco em “V” na fissura, e dependendo do caso com aplicação de tela.



Sulco em "V" de 10mm x 20mm, preenchido com selante flexível e com tela.



Para fissuras ativas pode ser necessário dessolidarizar o selante com uma fita de polipropileno. Esta solução permite maior movimentação da base.



Sulco retangular 10mm x 20mm com fita no fundo para dessolidarizar o selante.



Em situações de fissuras passantes ou em regiões de concentração de tensões pode ser necessário a aplicação de tela metálica no emboço do revestimento e tela na face interna. Neste caso deve ser retirado parte do emboço e aplicar tela metálica. Na superfície interna a camada de gesso deve ser retirada, aplicação de tela e nova camada de gesso para regularização.




Tratamento de fissuras passantes.



Atenção: emboço novo deve receber camada de selante antes da pintura!


Superfícies pulverulentas ou contaminadas deverão ser tratadas antes. A escolha do processo adequado depende de análise detalhada.


Geralmente o tratamento de fissuras em grandes áreas da fachada implicam em vultosas somas para recuperação do revestimento e pintura. Escolher os procedimentos corretos para tratamento do revestimento e das fissuras é de fundamental importância para o sucesso do trabalho de recuperação.


Após o tratamento e recuperação da fachada não se deve desprezar a elaboração de um plano de manutenção para que o investimento da reforma dure por muitos anos.



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Se você tem problemas na fachada de seu condomínio e precisa de consultoria, entre em contato pelo email: contato@arakiengenharia.com.br ou ligue para (11) 9 8742 9002.


Eduardo Eiji Araki – Engenheiro Civil

Diretor Técnico da Araki Engenharia

Inspeção Predial, Projetos de Recuperação e Reforma

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